"Mãe, conta uma história?"

A rotina existe? "De perto todo mundo é normal", já contradisse Almodóvar. Conviver com a diferença, com os filhos, com o grande amor, com a profissão, os desejos, com o possível e com os sonhos. Como é isso mesmo?

"Mãe, conta uma história?"

A rotina existe? "De perto todo mundo é normal", já contradisse Almodóvar. Conviver com a diferença, com os filhos, com o grande amor, com a profissão, os desejos, com o possível e com os sonhos. Como é isso mesmo?
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Terra Blog

17.08.06

Meu Chaplin de fraldas

Relendo o blog, achei que dava muito mais Theo do que o Caio. Não é por falta de ter o que dizer... mas como dizer. Essa fase de um ano e meio, quando a crianças (principalmente meninos), ainda não sabem falar, você ri o dia inteiro, mas é difícil expressar em palavras os motivos dessa riqueza. É quase como um cinema mudo. Um Chaplin de fraldas. Caio faz caras, bocas, birrinhas que a gente chega a gargalhar de tanto rir. São uns trejeitos de enfesado, que é um queixinho colocado pra frente; outros de puro cinismo, tipo fazer de conta que não ouviu o que a gente disse, ou umas risadas exageradas com os olhos franzidos e um sorriso quase fake de tão arreganhado!
Esse Caio é o primeiro a acordar, graças a Deus, não mais às 5h30 ou 6h... mas lá para 7h30. E é um tal de abraçar a gente, dar beijo no queixo segurando com as duas mãozinhas, jogar o bumbum na barriga da gente pra se espreguiçar que só mãe sabe a delícia que é. Um namoro que dura uns minutinhos até ele pular decidido da cama em busca de “cuco” e o que comer.
O garoto está numa fase populista. Fala oi pra todo mundo. Adorou esse negócio de escola e é só colocar a camiseta do uniforme que ele passa a ter outro olhar sobre a vida: de uma criança que foi promovida a uma nova etapa, mais séria e cheia de responsabilidades. Aí ele anda como se fosse um barão do café, devagar e com a barriga empinada, tomando seu suco vagarosamente e olhando para o resto dos mortais da casa, o Theo, eu e a Ane, acabamos de nos aprontar para finalmente pegar a chave do carro e ir até à escola. Quando a tia vem buscar no portão, o cara nem olha pra nós, que continuamos lá com a cara mais babona do mundo.
Ai Caio! Ele tem um abraço apertado, muito apertado. Gostoso demais. Daqueles que o narizinho fica colado no cangote da gente. Se entrega todo. Continua um comilão safado, louco por pipoca. Na hora do lanche, apesar dele ter a tigelinha dele, igualzinha a do irmão, quando o Theo senta ao lado para pipoquear com ele, só tem olhos pra tigela do outro. E começa a acelerar para acabar a dele já de olho na do primogênito!
Por enquanto, sabe falar “água”, “cuco” (suco), mamamamamamama (eu) e auau. E claro, cocococococó, quando quer ver o DVD do cocoricó.
Esse mudinho parece um Chaplin da primeira infância. Ontem mesmo, deu uma boa “varrida” na cozinha, com uma vassoura maior do que ele, e com uma seriedade no serviço de fazer inveja a qualquer profissional do lar. A percussão é outro babado desse moço. Tudo vira som: colher no prato, lego no chão, copo na estante, de tudo tira um som. Adora música, instrumental, clássica, jingle de comercial e vinheta de programa de rádio. Às vezes, parece maestro regendo, levantando os bracinhos no ritmo do som. E continua louro. É o meu “loirinho brown”! Meu Chaplin de fraldas.

  • criado por  Bia Lago criado por Bia Lago
  • Postado em 10:27:27
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