"Mãe, conta uma história?"

A rotina existe? "De perto todo mundo é normal", já contradisse Almodóvar. Conviver com a diferença, com os filhos, com o grande amor, com a profissão, os desejos, com o possível e com os sonhos. Como é isso mesmo?

"Mãe, conta uma história?"

A rotina existe? "De perto todo mundo é normal", já contradisse Almodóvar. Conviver com a diferença, com os filhos, com o grande amor, com a profissão, os desejos, com o possível e com os sonhos. Como é isso mesmo?
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Terra Blog

29.08.06

Fora de casa

Sempre admirei as mães que, logo após a licença maternidade, colocam o filho em uma creche ou com uma boa babá e passam o dia todo fora. Pegam trânsito, ficam até 12 horas fora de casa. Um misto de inveja também, porque universo infantil 24 horas por dia, sem dúvida, às vezes enjoa. E muito. Quando o Theo tinha pouco mais de um ano, surgiu uma viagem de trabalho para o Equador, e eu teria que ficar cinco dias fora de casa. Foi minha primeira experiência de ausência. Vivida com a maior apreensão, embora, confesse, a idéia de dormir ininterruptamente por mais de seis horas em hotel me seduziu um bocado.
Estava tudo bem, até que no terceiro dia a babá revelou pelo telefone, “olha, hoje ele pegou sua foto no porta-retrato e saiu chorando pela casa chamando mamãe”. Caí em prantos e daí em diante passei a contar minutos e segundos pra chegar logo em casa. Quando cheguei, muito cedo, não via a hora de o Theo acordar para abraçá-lo, beija-lo, e ele deu uma ignorada básica, mostrando sua braveza com a minha ausência. Como doeu. Mas superamos rapidinho.
Chegou a vez do Caio, nessa última semana. Mas dessa vez a “viagem” era em São Paulo mesmo. Um Congresso para cobrir durante quatro dias: sairia antes de eles acordarem e chegaria quando eles já estivessem dormindo. Entendi porque muitas mães colocam os filhos pra dormir depois das 22h. Todo dia eu ligava: “Ane, estou chegando, não deixa eles dormirem, quero dar um abraço antes”, e lá estava eu dentro do táxi, fazendo a maior terapia com o taxista dizendo-me louca de saudades dos filhotes e claro, apelando para que o carro dele virasse um helicóptero de uma hora pra outra e passasse por cima do sempre congestionado trânsito da marginal. A imagem de uma moça de cabelos encaracolados no creme da Seda foi a escolhida pro Caio reconhecer a mamãe. Bonita, até (rs).
Na equipe que eu estava trabalhando, ninguém tinha filhos. E era muito estranho falar da minha vontade de ir embora o mais cedo possível, porque eu acho que é um sentimento compreensível só pra esse clube prive das mães e pais que trabalham. O Caio ficou doente. Pode ter sido emocional, pode ter sido o clima que está mesmo enlouquecido. Mas fiquei com o coração apertado de ver meu pequeno parecendo um carrapato em mim nos dias seguintes. Mal podia ir ao banheiro que ele começava a chorar correndo atrás de mim. Mas enfim, cada mãe arruma seu jeitinho. E eu que andava com dúvidas sobre minhas escolhas profissionais, reafirmei a mim mesma: não troco meu homeoffice, mesmo com as invasões de lego, massinha, biscoito no teclado, além de manifestações orais no meio de um telefonema importante, pelo menos por enquanto, por nada nesse mundo. E às amigas que conseguem essa proeza, puxa, minha sincera admiração! Vocês são demais!

E me conta: como é que vc dribla sua saudade com sua carreira profissional?

  • criado por  Bia Lago criado por Bia Lago
  • Postado em 13:16:17
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