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Composta de algumas paredes portas e janelas, denomina-se casa um lugar de refúgio, aconchego, solidão, para partilhar com os amigos ou fugir deles. Pode-se comer macarrão e brigar com parentes diversos. Uma boa casa tem a cara do dono. As cores, excesso ou a ausência, revelam detalhes de sua natureza. Muitas vezes a casa não é cara do dono porque o bolso não lhe permite. Ainda assim, ao chegar na casa de alguém pela primeira vez podemos olhar as cores, os livros, os CD’s, a geladeira e ter um bom estudo sobre seu morador.
Quando somos adolescentes a casa dos pais normalmente é inadequada. Não podemos ouvir música alto, largar a pizza debaixo do sofá e assistir o que quisermos na televisão. Também é difícil namorar em casa nesta idade. Nessa fase adota-se como casa o carro de algum amigo, bares, a escola ou agremiações de qualquer natureza.
Quando nos tornamos profissionais, a casa torna-se grande objeto de desejo. Ao obtê-la, as primeiras compras são almofadas, aparelho de som e o quadro de um amigo péssimo pintor. Também compra-se muitas comidas instantâneas além de cerveja e ovos.
Quando casamos, os homens brincam de papai e as mulheres de casinha. A casa vive um conflito por um tempo entre a austeridade do pai e o romantismo da esposa. Um quer muitas flores e panelas e o outro dormir no sofá com a TV ligada.
Depois dos 30 anos, a casa só dá trabalho: o aparelho de som quebra, a televisão fica pequena, pagamos uma faxineira e detestamos ir ao supermercado.
A fase da maturidade da casa é desconhecida desta autora. Imagina-se que a tecnologia invente uma casa auto-sustentável, de preferência com um quarto a prova de som para os filhos e com dias alternados de paz e inferno. A preferência é pela tranquilidade.
Casa
Outro dia percebi que os quadros eram as coisas mais importantes da minha casa
Seus personagens poderiam proteger-me dos visitantes estranhos, fazê-los sorrir ou pensar, as belas paisagens alongar as paredes que limitam nosso horizonte
E os santos para me benzerem nos dias de aflição
Casa II
O aconchego da minha casa mora no olhar de uma indiazinha
Eu não sei de que tribo ela é
Mas ela conhece todos os meus rituais
Quando estou triste ela me dá porções mágicas
Quando quero encontrá-la
Sento no sofá e olho sua foto
A coisa mais bonita da minha casa
Seus olhos, minha morada.
criado por Bia Lago
00:55:48