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Sempre admirei as mães que, logo após a licença maternidade, colocam o filho em uma creche ou com uma boa babá e passam o dia todo fora. Pegam trânsito, ficam até 12 horas fora de casa. Um misto de inveja também, porque universo infantil 24 horas por dia, sem dúvida, às vezes enjoa. E muito. Quando o Theo tinha pouco mais de um ano, surgiu uma viagem de trabalho para o Equador, e eu teria que ficar cinco dias fora de casa. Foi minha primeira experiência de ausência. Vivida com a maior apreensão, embora, confesse, a idéia de dormir ininterruptamente por mais de seis horas em hotel me seduziu um bocado.
Estava tudo bem, até que no terceiro dia a babá revelou pelo telefone, “olha, hoje ele pegou sua foto no porta-retrato e saiu chorando pela casa chamando mamãe”. Caí em prantos e daí em diante passei a contar minutos e segundos pra chegar logo em casa. Quando cheguei, muito cedo, não via a hora de o Theo acordar para abraçá-lo, beija-lo, e ele deu uma ignorada básica, mostrando sua braveza com a minha ausência. Como doeu. Mas superamos rapidinho.
Chegou a vez do Caio, nessa última semana. Mas dessa vez a “viagem” era em São Paulo mesmo. Um Congresso para cobrir durante quatro dias: sairia antes de eles acordarem e chegaria quando eles já estivessem dormindo. Entendi porque muitas mães colocam os filhos pra dormir depois das 22h. Todo dia eu ligava: “Ane, estou chegando, não deixa eles dormirem, quero dar um abraço antes”, e lá estava eu dentro do táxi, fazendo a maior terapia com o taxista dizendo-me louca de saudades dos filhotes e claro, apelando para que o carro dele virasse um helicóptero de uma hora pra outra e passasse por cima do sempre congestionado trânsito da marginal. A imagem de uma moça de cabelos encaracolados no creme da Seda foi a escolhida pro Caio reconhecer a mamãe. Bonita, até (rs).
Na equipe que eu estava trabalhando, ninguém tinha filhos. E era muito estranho falar da minha vontade de ir embora o mais cedo possível, porque eu acho que é um sentimento compreensível só pra esse clube prive das mães e pais que trabalham. O Caio ficou doente. Pode ter sido emocional, pode ter sido o clima que está mesmo enlouquecido. Mas fiquei com o coração apertado de ver meu pequeno parecendo um carrapato em mim nos dias seguintes. Mal podia ir ao banheiro que ele começava a chorar correndo atrás de mim. Mas enfim, cada mãe arruma seu jeitinho. E eu que andava com dúvidas sobre minhas escolhas profissionais, reafirmei a mim mesma: não troco meu homeoffice, mesmo com as invasões de lego, massinha, biscoito no teclado, além de manifestações orais no meio de um telefonema importante, pelo menos por enquanto, por nada nesse mundo. E às amigas que conseguem essa proeza, puxa, minha sincera admiração! Vocês são demais!
E me conta: como é que vc dribla sua saudade com sua carreira profissional?
Cervejinha, busca a Fê (que ainda não é mãe, mas é moderna que só), pega a Tita, não pega a Tita, o trânsito tá parado na paulista. Ela vem de taxi. Pára no posto, corre, 12 cervejinhas bem geladas. Corro, chego ofegante, Lucila já está a postos, e eu quero ver e rir com o seriado. E o Theo resolve chorar. Muito. Sem parar.
_ O choro não quer ir embora, mãe!
Dribla daqui, dribla dali, o choro foi. O Caio começa a chorar. E chora. E assim eles vão se alternando, quando um parava o outro começava. Só pra testar minha modernidade. E param, exatamente quando acaba o seriado. Não assisti nem 10%.
Deu contade de chorar! hahahahahaha
Ainda bem que as amigas não perderam a peteca e nós rimos o resto da noite toda, falando das crias, dos sonos, das chantagens, dos choros que não vão embora. Falando de nós, as muito mothern também!
E vc? Assistiu? Gostou? Bota aí sua opinião!
Relendo o blog, achei que dava muito mais Theo do que o Caio. Não é por falta de ter o que dizer... mas como dizer. Essa fase de um ano e meio, quando a crianças (principalmente meninos), ainda não sabem falar, você ri o dia inteiro, mas é difícil expressar em palavras os motivos dessa riqueza. É quase como um cinema mudo. Um Chaplin de fraldas. Caio faz caras, bocas, birrinhas que a gente chega a gargalhar de tanto rir. São uns trejeitos de enfesado, que é um queixinho colocado pra frente; outros de puro cinismo, tipo fazer de conta que não ouviu o que a gente disse, ou umas risadas exageradas com os olhos franzidos e um sorriso quase fake de tão arreganhado!
Esse Caio é o primeiro a acordar, graças a Deus, não mais às 5h30 ou 6h... mas lá para 7h30. E é um tal de abraçar a gente, dar beijo no queixo segurando com as duas mãozinhas, jogar o bumbum na barriga da gente pra se espreguiçar que só mãe sabe a delícia que é. Um namoro que dura uns minutinhos até ele pular decidido da cama em busca de “cuco” e o que comer.
O garoto está numa fase populista. Fala oi pra todo mundo. Adorou esse negócio de escola e é só colocar a camiseta do uniforme que ele passa a ter outro olhar sobre a vida: de uma criança que foi promovida a uma nova etapa, mais séria e cheia de responsabilidades. Aí ele anda como se fosse um barão do café, devagar e com a barriga empinada, tomando seu suco vagarosamente e olhando para o resto dos mortais da casa, o Theo, eu e a Ane, acabamos de nos aprontar para finalmente pegar a chave do carro e ir até à escola. Quando a tia vem buscar no portão, o cara nem olha pra nós, que continuamos lá com a cara mais babona do mundo.
Ai Caio! Ele tem um abraço apertado, muito apertado. Gostoso demais. Daqueles que o narizinho fica colado no cangote da gente. Se entrega todo. Continua um comilão safado, louco por pipoca. Na hora do lanche, apesar dele ter a tigelinha dele, igualzinha a do irmão, quando o Theo senta ao lado para pipoquear com ele, só tem olhos pra tigela do outro. E começa a acelerar para acabar a dele já de olho na do primogênito!
Por enquanto, sabe falar “água”, “cuco” (suco), mamamamamamama (eu) e auau. E claro, cocococococó, quando quer ver o DVD do cocoricó.
Esse mudinho parece um Chaplin da primeira infância. Ontem mesmo, deu uma boa “varrida” na cozinha, com uma vassoura maior do que ele, e com uma seriedade no serviço de fazer inveja a qualquer profissional do lar. A percussão é outro babado desse moço. Tudo vira som: colher no prato, lego no chão, copo na estante, de tudo tira um som. Adora música, instrumental, clássica, jingle de comercial e vinheta de programa de rádio. Às vezes, parece maestro regendo, levantando os bracinhos no ritmo do som. E continua louro. É o meu “loirinho brown”! Meu Chaplin de fraldas.
Gente, dia 19 de agosto tem Mothern na GNT! O máximo. É o "sex and the city" para mamães modernas. Bom texto, situações engraçadas, tiradas do cotidiano de gente como a gente.
O blog das mineiras Juliana Sampaio e Laura Guimarães é fonte de inspiração (e muitas gargalhadas) para centenas de mães descoladas e sinceras; que amam a maternidade, mas nem por isso querem enterrar o sex apeal, desistir de emagrecer, ter a mente boa, perder as baladas com os amigos e a carreira profissional.
Olha só... tudo começou com um blog (e um puta talento que elas têm para escrever), virou coluna na revista TPM... depois livro, e agora seriado na TV a cabo. Chique do úrtimo.
Dia 19 já marquei com as amigas, mães de pirralhos como eu, para assistrmos a estréia, claro, com um bom copo de cervja à mão!
ah, claro, acesse o blog:
http://mothern.blogspot.com
Se eu tenho inveja? Claaaaro! hahahahahahahahahaha
Theo não dorme mais à tarde. Mas nessa quinta, cansado depois da escola, dormiu no carro durante o trajeto para o pediatra do Caio. Ficamos com pena de acordá-lo e a Ane acabou ficando com ele no carro pra ele dormir mais um pouquinho, até o fim da consulta.
Claro, à noite... o sono que vem sempre à mesmo hora, demorou.
Muita compreensão, afinal, quebramos a rotina. Estica a hora de dormir...E enrola prum lado, enrola pro outro, conta história, beijo e boa noite. Levantou de novo: água, historinha, beijo, “cosquinha” na barriga, “tá na hora, já passou da hora”, mesmo descontando com o cochilo da tarde. Já pra cama.
“Agora é só fechar os olhos que o sono chega,filho. Boa noite!”
Beijo, muito carinho e fé em Deus que agora vai.
Dez minutos depois, a porta do corredor se abre pela terceira vez. E ele declara com toda serenidade e convicção:
- Ô mãe, não consigo dormir. O sono não chega. Acho que ele tá trabalhando.