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O Infans, Unidade de Atendimento ao Bebê, instituição especializada na intervenção com a pequena infância, há sete anos desenvolve cursos para babás e berçaristas. Diversos temas são abordados tais como a visão sobre o bebê; uso de cadeirões; limites e regras; sinais de sofrimento do bebê; efeitos da amamentação e do desmame; entre outros tópicos fundamentais.
São dois dias de programação, 24/06/2006 e 01/07/2006, das 9h00 às 13h00. São apenas oito vagas e as inscrições podem ser feitas até o dia 21/06/2006. O valor é de R$ 120,00. A pedidos, eles também desenvolvem cursos no local de trabalho, grupos acima de três pessoas têm 10% de desconto. Mais informações pelos telefones 3082-1921 ou 3082-4807 ou pelo e-mail infans@infans.org.
Acho que nunca entrevistei tanta gente sobre um mesmo tema em toda minha vida profissional como na época em que fiquei grávida. Fui direto às melhores fontes: outras mães! Não importava se eram da minha idade. Se já eram avós, se trabalhavam fora ou não; se os filhos eram pequenos, adolescentes ou adultos. Conversava. E aprendi muito nessa “reportagem”. Consensos: erros acontecem, educar é difícil, “vai se preparando pra não dormir”, e o anúncio que muitas alegrias estavam por vir.
Apesar de toda a riqueza da vida dessas mulheres, ter uma terapeuta extraordinária, a Cláudia Rohenkohl, freudiana, lacaniana, de divã e hora marcada, foi fundamental. Porque é o momento de revisitar nossa infância, como fomos educados, avaliarmos nossa mãe, nosso pai... Escolher o que vamos passar adiante para os nossos e o que não queremos de forma alguma. Os três primeiros meses de gestação são de enlouquecer qualquer mulher, o que quase não se comenta. É um trio de confusão mental, emocional e hormonal que não é fácil. Escapei dos vômitos e enjôos, por sorte, mas morria de medo pelo que vinha a seguir. “Será que vou dar conta? E a minha carreira? E a viagem que nunca fiz à Europa? E se eu não gostar de ser mãe? E se eu engordar demais e nunca mais emagrecer? E se ele não gostar de mim?” Um dia de euforia outro de tristeza.
No segundo trimestre tudo melhora muito!
A terapia foi imprescindível para elucidar todos os mistérios dos meus medos. Para saber que o medo fazia parte de ser mãe. Lembro das palavras da Cláudia como se fosse hoje: “Medo de errar já é o sinal de que você será uma ótima mãe”.
Minha dentista querida, Maria Aparecida Escudeiro (sim, acredite, em pleno tratamento dentário, de boca aberta e cheia de anestesia, falávamos mais que três negas do leite juntas!) ajudou com toda a sua paciência e minha escuta obrigatória (tinha hora que eu não podia mesmo falar hahahahaha). O afeto e o carinho que encontrei na cadeira odontológica foram tão acolhedores quanto o divã da Cláudia, com nuances muito diferenciadas, mas bacanérrimas do mesmo jeito.
E terceiro: tivemos o privilégio de conhecer o Gamp (Grupo de Apoio à Maternidade e Paternidade), por indicação da Cláudia. Diferente de muitos cursos oferecidos a futuros papais nas maternidades, que mais parecem um tour pela Europa em dois dias, a galera do Gamp, coordenada pela psicanalista Anna Medohuar e Doris, é um grande bate-papo, com gente muito qualificada, em meio a muitos almofadões, barrigas e maridos tão ansiosos quanto suas parceiras. Tudo muito aconchegante, com muita trocas de sensações, partilhas, um canal de desabafo, choro, lágrimas e risos. Me lembro que em seu nervosismo, Pedro, ao ouvir do pediatra que a crianças poderia ficar alguns dias sem fazer coco, se poderia usar a mesma fralda (kakakakaka).
Foram dois sábados inteiros em uma casa supersimpática, com um jardim lindo e um almoço feito especialmente para nós pelo Fred. Fizemos uma carta para o Theo sobre aquele momento; tivemos duas explanações com pediatras, um halopata “não invasivo” e uma homeopata. Vimos slides sobre a transformação do corpo da mulher, músculos que surgem, que vão, voltam, amamentação, e descobrimos coisas fantásticas, como por exemplo, que toda cena de filme que a mulher dá um grito e todo mundo sai correndo pro hospital é uma mentira deslavada! Partos duram horas, na maioria dos casos e tudo pode ser feito com calma e tranqüilidade. Também vimos todas as posições possíveis do bebê em uma barriga, onde também desmistificamos histórias sobre cordão umbilical no pescoço e outros babados. Aprendemos a respirar juntos, pai e mãe, ensaiando um momento de chegada do bebê. Francisco, o pediatra palestrante, não deu aula como dar banho em um bebê (o momento mais esperado) porque, argumentou, “nunca, em toda minha vida, ouvi falar de algum pai ou mãe que tivesse afogado o bebê na banheira. É muito fácil e simples e vocês vão saber fazer na hora”. E nos deu as orientações básicas. Rimos muito!
Enfim, o Gamp foi muito legal pra tranqüilizar, para conhecer pessoas que estavam com tantos medos como nós. E aprendemos muito, como aprendemos! Foi lá também que conhecemos a Thaís e o André, pais do Gustavo e da Bia, que têm praticamente as mesmas idades que o Theo e o Caio. Viramos amigões! Uma amizade fundada na mesma experiência, medos, descobertas, alegrias, que até hoje dura e rende.
Mesmo que você tenha uma família exemplar, cheia de mulheres “paridouras”, nessa nova jornada você se descobre com muitas famílias. Quem sabe, até membro de uma grande família “só”! No meu caso, esses parceiros marcaram nossas vidas como pais iniciantes. Uma boa terapeuta, uma dentista carinhosa (e muito competente) e o GAMP.
“Ninguém ensina ser pai, mãe, professor e psicanalista”, disse uma vez meu sábio primeiro psicanalista, Helson Ramos (passei por dois, antes que vc pense que eu tenho uma coleção!). Ah, sim: existem faculdades de pedagogia, os cartéis de psicanálise, muita literatura. Paternidade e maternidade, qualquer maluco pode exercer! Brincadeirinha. Na verdade, o que está interdito na frase é que essas são atividades infinitamente mais ricas no dia-a-dia do que pode supor qualquer biblioteca, embora livros possam ajudar muito.
Toda relação humana é única. De cada professor para cada aluno, de cada psicanalista para um analisando, de cada pai e mãe para seus filhos. Imprevistos, conflitos, desejos, as inseguranças dão novos rumos à jornada dessas existências tão particulares. Isso sem falar na cultura e nos valores que herdamos.
O motivo dessa introdução é para dizer que a maternidade não é fácil para as mulheres modernas de hoje. Talvez por isso o volume de manuais e livros sobre maternidade seja proporcional a falta de vivência com gestações, partos, recém nascidos, cuidados com as crianças e com tudo o que rola pós-parto. Há poucas décadas atrás, a notícia de uma gravidez era cercada de cuidados por todas as mulheres da família. Na curtição do enxoval, nos chás de bebês, nos conselhos de tias, primas, irmãs mais velhas que já tinham passados por essa experiência. Haviam sempre crianças de todas as idades freqüentando as casas. E isso era um aprendizado diário, de observação, conversas, de cotidiano.
Havia revezamento doméstico para ajudar nos afazeres que implicam a chegada de um bebê, tudo para que a mãe pudesse amamentar sossegada, dormir um pouquinho mais de dia, alimentar-se bem e recuperar-se cercada de carinho desse rito de passagem para a mulher que é a chegada de um filho. Havia uma sabedoria feminina nbaseada na experiência, passada de mulher para mulher.
Fomos pra faculdade, saímos de casa, namoramos muito e tudo isso é muito bom, saudável, importantíssimo para nós. Desenvolver nossa carreira, nosso intelecto, curtir nosso corpo. Criar novas “famílias”, nossos “bandos”, grupos de amigos com os quais desenvolvemos afinidades em vários aspectos. E ficamos bem longe das nossas mães, titias, avós, sobrinhos, priminhos. Ganhamos e perdemos.
Um belo dia a gente engravida. E se dá conta que não sabe nem onde é a “rebimboca da parafuseta” da maternidade. Nem psi, nem operacional. Zero! E corremos pra livrarias, desesperadas. Nos dias de hoje, o socorro vem de outros lados. Mas isso eu te conto amanhã que esse blog já está muito longo...
Eram tempos de estudos. Muitos estudos. Andávamos com umas apostilas enormes falando do exercício 736 de física ou do ciso da igreja católica em 1054. Tempo de curso pré-vestibular. Eu estava em Salvador, não conhecia a cidade, nem tinha amigos. E morria de medo de não passar nas provas da UFBA e da Católica. Era de casa pro cursinho e vice-versa. Até que encontrei esse moço de calça jeans, camiseta regata branca, mochila nas costas e um olhão verde debaixo de uma sobrancelha que mais parecia uma versão latina do Daniel Day Lews. E a gente se encontrava no ônibus todo dia. No Pituba R-1, que ia até o cursinho Sartre. Era 1988. E foi assim que começamos a nos apaixonar.
A história é longa... Passamos no vestibular. Namoramos outras pessoas, acabávamos o namoro, voltávamos, 1363 vezes até onde me lembro. Até que tomamos vergonha na cara pro alívio dos nossos amigos e juntamos “as herings” em 1997.
Falar de quem a gente ama é 100% de chance de cair no clichê. Mas vou arriscar. Deixa eu ver: ele é o melhor homem do mundo. Tá bom assim?
Dia 19 foi seu aniversário, 36 anos. Acostumado com uma família de ótimas boleiras, cozinheiras, quituteiras e afins, esperava, no mínimo, por um bolinho de chocolate. Não fiz bolo no dia. Ele ficou com uma carinha triste, desapontada, mas eu disse que no sábado faria um desses bolos de caixa semi-prontos para não passar branco e cantar parabéns com os filhos.
Mas eu fiz mesmo foi uma baita festão surpresa heheheh! Só deus sabe os esquemas pra esconder tantos ingredientes, incluindo caldeirões de feijoada para 30 pessoas. Com todos os amigos mais próximos e queridos. Ver o susto de felicidade dele, aquele bando de gente gritando SURPRESA, foi inesquecível. O abraço dos filhos pequenos, e ter ouvido o final de semana todo que eu era a melhor mulher do mundo (ah, claro que eu adorei ouvir isso) são coisas que ficam no coração da gente. É muito difícil escrever sobre vc meu amor, fico imaginando que ninguém vai suportar esse texto açucarado, porque o amor... é mesmo muito brega! Mas o bolo teve avelã, licor de amêndoas e cobertura de brigadeiro e estava muuuuuito sofisticado hahahahahaha
Marido fantástico, pai excepcional, eu quero ficar muito velhinha com o Pedro. Ah, o Theo e o Caio vão se picar no mundo, como todo filho faz, como a gente mesmo também fez. E aí, nós dois, nossas pelanquinhas, nossos óculos escuros de grau, um kit de remédios contra reumatismos, vamos ganhar o mundo em cima de uma moto estradeira. A 50 km por hora! Vamos visitar os filhos, ir aos bailes de terceira idade e brigar porque eu sempre esqueço o leite fora da geladeira. Vamos rever Betty Blue, nosso primeiro cinemão juntos. Fazer sexo por telepatia (rs). É tudo que eu quero na vida: saúde, o Pedro, o Theo e o Caio. Os homens da minha vida. Desculpa aí o clichê, tá!!! Mas amar é assim... Muito clichê!